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Agência Planisfério lança experimento social que dá origem a ONG Estou Refugiado

  • 28 de mar. de 2019
  • 4 min de leitura

Atualizado: 24 de mar. de 2021

Com o lema “o preconceito acaba quando a compreensão começa”, projeto faz a ponte entre empresas e refugiados em busca de emprego


Por: Yana Lima


Da inquietude de uma empresária atenta às mudanças sociais surgiu o projeto Estou Refugiado. Luciana Maltchik Capobianco é sócia da agência de comunicação Planisfério e foi no ecossistema criativo da empresa que teve a primeira ideia: uma campanha de comunicação que alertasse sobre o preconceito em relação aos migrantes em situação de refúgio no Brasil. O engajamento da agência com o tema ganhou força e se desdobrou em um projeto que com o passar dos anos ganhou o status de ONG.


“Na época, eu percebia um boom migratório em todo mundo. Navegando em redes sociais e lendo conteúdos sobre o refúgio, me chamou a atenção a quantidade de comentários xenofóbicos. Foi essa nuvem de preconceito que motivou a Planisfério a fazer uma campanha para combater isso”, conta a Luciana.



A campanha: o começo de uma jornada no refúgio


Um experimento no aplicativo de relacionamento Tinder deu origem despretensiosa ao projeto Estou Refugiado. A agência criou dois perfis reais de um mesmo homem na rede social, um o apresentava como estrangeiro e outro com a palavra refugiado. A ideia era averiguar qual dos perfis receberia mais curtidas do público feminino.


O resultado confirmou as desconfianças iniciais. O perfil com a palavra estrangeiro obteve 30 matches – ou seja, 30 mulheres se interessaram – enquanto o perfil do mesmo homem com o termo refugiado recebeu apenas três interessadas. O experimento social deu origem a um vídeo e daí por diante o projeto foi se desenvolvendo organicamente.


Luciana conta que durante a execução da campanha, se envolveu muito com os refugiados e passou a prestar mais atenção nas demandas desse público. “Conversando com os refugiados, entendi que a falta de emprego era a principal questão na nova vida deles. Então, percebi que contando suas histórias, poderia sensibilizar organizações e empresários em prol da causa, mudar mentalidades e impactar”.


Aos poucos, o projeto foi se tornando um elo entre vagas de trabalho e refugiados. Luciana conversava com empresários, com profissionais de Recursos Humanos e divulgava as oportunidades a instituições que atendiam pessoas em situação de refúgio. Ainda assim o processo ficava estancado por muito tempo. Foi por isso que decidiu gerenciar todo o ciclo de recrutamento e criou a Máquina de Currículos. A convite do Human Rights Watch Brasil, o projeto levou um totem interativo que distribuía currículos de refugiados aos visitantes da exposição Farida, Um Conto Sírio, do fotógrafo Maurício Lima, no Museu da Imagem e do Som, São Paulo.


“Quando lançamos o site, começamos a ter ofertas de vagas de pequenas empresas e negócios. Recebemos as vagas, fazemos as pontes, indicamos aos refugiados. Fazemos todo o trabalho. Em paralelo, tivemos os totens para alcançar mais pessoas e impactá-las em espaços públicos como a Livraria Cultura, a Bienal Nacional de Arte e o Sesc”, orgulha-se Luciana ao contar que no começo ela mesma levava os totens “embaixo dos braços”.



De sonho, a projeto, a ONG


Inicialmente, Luciana foi a investidora anjo do projeto. Hoje o desafio é buscar novas fontes de recursos para tornar a ONG autossuficiente. A demanda cresceu e a equipe percebia a cada dia que o trabalho deveria ser feito com mais cautela e zelo, porque a responsabilidade foi ficando maior. Atualmente, eles contam com mais de cem empresas em sua base de dados, entre elas, marcas internacionalmente conhecidas como a rede de hotéis Ibis, Mattel, Dengo Chocolates, General Motors.


Com uma equipe formada por seis integrantes, Estou Refugiado conta com duas mil pessoas no banco de talentos. Mais de 600 já foram inseridas no mercado de trabalho. O venezuelano Flavian Hensley Mc Donald Mosquera, 29 anos, que vive no Brasil há pouco mais de um ano e meio é um destes casos.


“Procurei a ONG porque queria trabalhar na minha área de formação [engenharia de sistemas]. A equipe escutou minha história de vida, perguntou sobre minhas capacidades e encaminhou meu currículo para várias empresas. Fiz muitas entrevistas e hoje estou atuando como consultor de TI com foco em Big Data, graças ao projeto”, conta o engenheiro.


Dentre as principais realizações do movimento estão: a criação de um crowdsourcing para custeio de passagens de ônibus para refugiados fazerem entrevistas de trabalho, um site e uma página no Facebook para contar histórias das vidas do refúgio, as operações de ofertas de emprego e a Máquina de Currículos. O processo de formalização da ONG passa ainda pela criação da Planisfério Causas, para poder desenvolver produtos e serviços que garantam a sobrevivência e autonomia do movimento; e pela iniciativa empreendedora Kosukola, um lava rápido a seco criado para exclusivamente para empregar refugiados.


Após três anos de vida, a Estou Refugiado comemora a mais recente vitória: ter sido selecionada pela Universidade de Illinois, dos Estados Unidos, para receber uma consultoria de profissionalização e sustentabilidade.



Empatia cíclica pela trajetória de migração


Descendente de família judia que precisou fugir da Romênia na época da Segunda Guerra Mundial, Luciana se identificou com a causa do refúgio não apenas pelo resgate histórico, mas porque se colocava muitas vezes no lugar dos refugiados que conhecia. Ela conta que ao dar o primeiro passo, percebeu que com muito pouco, conseguiram algo transformador.


“Nós brasileiros somos filhos, netos, ou de alguma forma descendentes de migrantes. O que me motivou foi me rever no outro. A maturidade também despertou em mim a necessidade de fazer algo mais significativo. Ao largar minha caneta uma parte do tempo, pude me dedicar, construir e conseguimos transformar as vidas daquelas pessoas em histórias de sucesso”, comemora a publicitária.

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